quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Incomparável Graça Divina em Contraposição ao Pecado: Uma Análise de Romanos 5.12-21 - Parte II.


Na primeira parte deste artigo podemos contemplar um pouco da discrepância existente entre a desobediência de Adão e a obediência de Jesus Cristo o homem perfeito. Podemos perceber também o quanto o apóstolo Paulo tentou por meio de sua epístola aos Romanos incutir em nossas mentes que não há a mínima comparação entre a vida e obra de Adão para com a vida e obra salvífica de Cristo.

(Nesta última parte do artigo trataremos os versículos 16 a 21 do capítulo 5 de Romanos).


O versículo dezesseis diz: Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Perceba que para Paulo o dom da justificação é totalmente diferente da ofensa que desencadeou o pecado. Primeiro o apóstolo faz questão de ligar o pecado a Adão, já que, não podemos dissociar Adão de seu ato pecaminoso. Através do pecado de um só toda humanidade passou a viver no pecado, sendo condenada desta forma como injusta diante de Deus e recebendo como consequência de sua condenação a morte. O dom gratuito referido por Paulo diz respeito ao dom outorgado por Deus ao seu povo, a saber, a justificação dos pecados, já que, o dom gratuito visa a justificação. Na última parte deste versículo contemplamos um notável paralelo, pois por meio de uma única ofensa veio condenação para toda humanidade e por meio de muitas ofensas Deus trouxe justificação para o seu povo escolhido. Enquanto o julgamento de todos levou em consideração uma única ofensa, o dom gratuito de Deus levou em conta as muitas ofensas, portanto, percebemos o quanto a graça é magnífica, já que, ela leva em conta as muitas transgressões. Paulo, portanto, demonstra que o julgamento procede de um para muitos, enquanto a graça superabunda em favor de muitos mediante um único homem, a saber, Jesus Cristo.

No verso dezessete Paulo retrata o seguinte: Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Neste verso o apóstolo procura expor o contraste existente entre o reino da morte que veio por meio de Adão e o reino da vida instaurado através de Cristo Jesus. A ênfase de Paulo aqui diz respeito ao domínio abundante da vida como algo conquistado pela graça divina e estabelecido eternamente pela justificação. Percebemos também que somos os recipientes desta graça doada por Deus através de Cristo, como seu povo escolhido segundo John Murray “somos beneficiários passivos tanto da graça divina tanto do dom gratuito em sua plenitude transbordante” (Comentário de Romanos, pp. 224). Na última parte deste verso o apóstolo Paulo procura clarear aos seus leitores a ideia do relacionamento existente entre Cristo e seu povo que diferentemente de Adão e sua prole desfrutaram do reino da vida tanto no presente quanto no futuro. Paulo procura incutir uma mentalidade de certeza e confiança em Deus de que reinaremos em vida para sempre e este reinado com cristo se consumará plenamente no futuro.

O versículo dezoito descreve: Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio à graça sobre todos os homens para justificação e vida. Vemos neste versículo um pequeno resumo do que Paulo descreveu até então, aqui o apóstolo descreve em termos claros a analogia entre Cristo e Adão e suas subsequentes consequências. No que concerne à ofensa de Adão, o apóstolo Paulo têm em mente indubitavelmente a atitude de Adão em comer o fruto proibido, tal atitude foi o motivo central para a condenação de todos os homens (e este pecado particular serviu para trazer o juízo condenatório de Deus sobre toda humanidade). Na sequência do verso Paulo novamente contrasta a atitude de Adão com a de Cristo, pois através de um único ato de justiça Jesus trouxe graça ao seu povo, é evidente que este ato de justiça diz respeito à retidão e obediência de Cristo a Deus em todos os aspectos de sua vida, sendo isto o alicerce que proporciona a justificação divina que dá a vida. Doravante, não devemos ter em mente que Paulo neste verso defende o universalismo, pelo contrário, devemos perceber que a expressão “todos os homens” manifesta certa restrição em acordo com o contexto e com outros textos bíblicos, em momento algum o apóstolo possuiu o objetivo de determinar a quantidade numérica dos que são condenados ou justificados, o seu real objetivo era demonstrar segundo John Murray “a analogia existente entre o caminho da condenação e o da justificação” (Comentário de Romanos, pp. 230). Concluímos, portanto, que Paulo tinha em cogitação que todos quantos estão ou foram condenados, e isto serve para todos que compõem a raça humana, estão condenados pela única ofensa de Adão; e todos quantos foram justificados, o faram unicamente pela justiça de Cristo. 

O versículo dezenove descreve: Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um, muitos serão constituídos justos. Por meio deste verso Paulo confirma e elucida o verso anterior. É óbvio que na primeira parte do verso Paulo nos informa que o pecado de Adão tornou-se o pecado de toda humanidade por meio da solidariedade pecaminosa que é patente a todo ser humano e tal solidariedade nos torna participantes da condenação e da morte. Já, a última parte do verso deixa claro que por meio da obediência de Cristo que teve seu ápice na cruz do calvário, o seu povo, a saber, os seus escolhidos puderam ser justificados tornando-se homens e mulheres justos em Cristo Jesus.

Paulo finaliza seu pensamento nos versos vinte a vinte um: Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou à graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. Ao citar a Lei mosaica Paulo procura enfatizar o caráter temporário da mesma, portanto devemos compreender que a lei mosaica não era contrária à graça divina. A lei possuía um objetivo claro que servia de forma coordenada para julgar o pecado e exaltar a graça salvadora. Portanto, o real propósito da Lei mosaica era o de aumentar a ofensa de modo que o pecado pudesse se multiplicar, pois a Lei trouxe o conhecimento dos pecados aos homens, e os mesmos como descendentes de Adão continuarão a violar as leis expressas de Deus, fazendo abundar desta forma o pecado (Romanos 7.8-13). Paulo também faz questão de enfatizar que quanto mais a transgressão se multiplica, maior se torna a graça que se trona evidente por meio da justificação. A última parte do versículo vinte está em íntima comunhão com o verso vinte e um, os mesmos formam a conclusão do apóstolo, definindo assim, o propósito pelo qual a graça superabundou o pecado, este propósito é o de tornar possível para o povo justificado por Cristo à vida eterna com Deus.

Através deste artigo tomamos consciência do quanto à graça divina gerada pela obra salvífica de Cristo sobrepuja em muito o pecado gerado pela desobediência de nosso progenitor, a saber, Adão. Verdadeiramente é incomparável a justificação de Cristo para com a condenação firmada pela anarquia de Adão, ele trouxe morte à humanidade enquanto Cristo providenciou a vida eterna a todos quantos creem em seu nome.
Soli Deo Glória!
Pr. Narciso Montoto.

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