quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Incomparável Graça Divina em Contraposição ao Pecado: Uma Análise de Romanos 5.12-21 - Parte I.


(Neste artigo trataremos o capítulo 5 versículos 12 a 15 de Romanos).

O que podemos descrever acerca da Graça divina conquistada e doada ao povo eleito de Deus por meio da obra salvífica de Cristo? Será que o pecado pode de alguma forma superar este dom gratuito de Deus dado a seu povo, a saber, a Graça? Como podemos asseverar que o pecado não pode de forma alguma superar a Graça divina? Através da exorbitante eloquência do apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos descobriremos o quão a Graça divina é maravilhosa para a vida do povo eleito de Deus.

É nesta parte especifica de Romanos que o apóstolo relata uma analogia entre Adão o representante ou progenitor de toda raça humana e entre Jesus Cristo o representante de uma nova humanidade. É válido ressaltar que Adão como representante de toda raça humana trouxe por meio de sua desobediência a Deus o pecado que resulta em condenação e que traz como consequência a morte, por isto como seus descendentes possuímos geneticamente o pecado, sendo assim a Bíblia nos diz que “todos pecaram” (Romanos 5.12c). Há um grande paradoxo segundo Paulo entre Adão e Cristo, pois Cristo diferentemente de Adão obedeceu ao Pai em todos os aspectos de sua vida e por meio de sua obra salvífica amainou a ira de Deus contra o pecado de seu povo trazendo assim justiça que resulta na justificação de pecados para seus eleitos tornando possível a seu povo desfrutar da vida eterna.

No verso doze Paulo escreve: Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Neste versículo Paulo enfatiza a imensa irresponsabilidade de Adão em desobedecer às ordenanças Divinas, tal desobediência trouxe consequências devastadoras para sua posteridade. Paulo nos revela o caráter universal de tais consequências, a saber, o pecado e a morte, todos eles são patentes à humanidade por causa de Adão. Portanto, segundo John Murray em seu comentário de Romanos “a morte entrou no mundo através do pecado de um único homem e permeou a raça humana através do pecado de todos”. Concluímos então que o pecado de Adão tornou-se o pecado de toda humanidade e este pecado propagou a morte a todos os homens, selando assim, nosso destino ao de nosso progenitor.

O verso treze e quatorze relata o seguinte: Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Devemos tomar nota que o apóstolo Paulo tem em mente nestes versos o tempo pré-mosaico, ou seja, o tempo que vai de Adão até a formulação da Lei escrita de Deus para o povo israelita. Paulo nos relata que mesmo antes da Lei escrita o pecado já estava no mundo, recordemos que o mesmo adentrou no mundo por meio da desobediência de Adão, daí, o apóstolo segue informando que onde não há Lei o pecado não é levado em conta, levando-se em consideração que o pecado existe intrínseco e extrinsecamente na raça humana, portanto, quando não há Lei que norteie os indivíduos em como portarem-se diante de Deus tais pecados não se tornam públicos expondo desta maneira toda sua ignomínia. No verso quatorze Paulo demonstra a solidariedade do pecado na raça humana e de sua consequência, a saber, a morte. Tomando por base a época pré-mosaica Paulo assevera que a morte reinou ou alcançou aqueles que não pecaram a semelhança de Adão, aqui devemos compreender que tais pessoas também eram pecadoras, porém, as mesmas não possuíam uma ordenança ou mandamento expresso diretamente de Deus como Adão possuía e como num futuro através de Moisés o povo israelita viria a conhecer na Lei escrita de Deus. Na última parte do verso o apóstolo Paulo aponta Adão como uma figura de Cristo, porém, Cristo cumpre o papel que Adão não pôde cumprir sendo o representante perfeito de uma nova humanidade.

O versículo 15 de Romanos capítulo 5 diz o seguinte: Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. Paulo faz no começo deste verso uma enorme diferenciação entre a Graça de Cristo que é fundamentada na justificação de pecados (tal Graça foi alcançada por meio de sua obra salvífica na cruz) e a ofensa de Adão que trouxe condenação a todos os seus descendentes. Nos demais argumentos do versículo o apóstolo procura demonstrar a seus leitores o quanto a Graça de Cristo supera a ofensa de Adão que trouxe a morte para toda humanidade, tal superioridade é demonstrada no verso vinte “onde abundou o pecado superabundou a Graça”. Paulo em hipótese alguma desconsidera o juízo divino sobre o pecado, já que, o juízo divino se realiza de forma implacável através da morte. Doravante, Paulo reconhece também que quando a Graça opera a superabundância se evidencia, já que, a Graça de Cristo não somente anula a realização do juízo como também abunda em relação à justificação dos pecados e da vida eterna. Enquanto o pecado reina para a morte, a Graça reina mediante a justiça, para a vida eterna.

Estes são alguns fatores que nos levam a reconhecer que a Graça divina é incomparável principalmente em relação ao pecado. Cristo nos deu sua Graça, isto é, um presente seu para seu povo escolhido pelos séculos dos séculos até o dia de sua vinda, pois digno é o Cordeiro de Deus de receber toda honra e glória de eternidade a eternidade.


Soli Deo Glória!
Pr. Narciso Montoto.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Verdadeiro Significado do Batismo Cristão.


E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mateus 28.18-19). Segundo as palavras de Jesus encontradas no Evangelho de Mateus e em outros textos bíblicos o que significa realmente o batismo cristão? Existe alguma diferença entre o batismo de João Batista e o de Cristo? Qual o real sentido do batismo para a vida do discípulo?

Ao falarmos sobre batismo não podemos nos olvidar de João Batista, a Bíblia mostra-nos João como aquele que anunciaria a chegada do Messias pregando arrependimento ao povo israelita. Sua mensagem não era finalizada apenas ao cessar de suas palavras, mas sua pregação era acompanhada de um simbolismo denominado batismo de arrependimento naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judeia, dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.” (Mateus 3.1-6). Constatamos por meio deste relato que a pregação de João Batista promovia arrependimento entre o povo, tal arrependimento conduzia João a batizar o povo que buscava perdão para seus pecados. Portanto, asseveramos que o batismo de João era um ritual que promovia o perdão ou purificação dos pecados.

 É valido notar que Jesus não foi batizado para obter o perdão de seus pecados, já que o mesmo não o possuía, mas Cristo se deixou batizar para que se cumprisse nele toda justiça. Doravante, o batismo instaurado por Jesus trazia uma nova mensagem e simbolismo para aqueles que viessem a se torna seus discípulos. 

Jesus como o Salvador de seu povo perdoa os pecados ou os purifica não agora por meio da água através do batismo, mas por meio de seu sangue derramado na cruz. Cristo foi o sacrifício perfeito que amainou a ira de Deus contra os pecados de seu povo escolhido, a saber, a Igreja, é este sacrifício e não o batismo que conferem perdão dos pecados e a salvação aqueles que creem. São estes fatores que denotam algumas diferenças entre o batismo de João e o de Cristo, no de João Batista pecadores recorriam ao perdão enquanto no de Cristo pecadores redimidos (aqueles que já obtiveram perdão dos pecados) recorrem ao batismo como ato público de sua fé.

O apóstolo Paulo nos relata: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado (Romanos 6.3-7). Constatamos Paulo tratando nestes versículos acerca do profundo simbolismo trazido pelo batismo, o qual reporta sobre a união do cristão com Cristo por meio de sua morte, sepultamento e ressureição. Em outra de suas cartas Paulo diz: “Tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Colossenses 2.12). Fica evidente que o batismo cristão simboliza a morte do velho homem, daquele que vivia e amava o pecado, em um novo homem ressurreto e compromissado com Cristo, o qual a partir deste momento ímpar assumirá uma novidade de vida em Cristo.

Este sim é o verdadeiro significado do batismo cristão: Um ato público de fé do novo convertido, onde o mesmo declara através do batismo que o velho homem (o que vivia para o pecado) está morto, renascendo em seu lugar um novo homem (um indivíduo que vive para glorificar a Deus). Portanto, alcançamos perdão de nossos pecados através do sangue de Cristo Jesus derramado no calvário, e como pecadores redimidos recorremos ao batismo para declarar publicamente toda nossa alegria em fazer parte do povo escolhido de Cristo Jesus, a saber, a Igreja.

Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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