quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Verdadeiro Significado da Santa Ceia.


Notemos que além da Ceia ser um dos dois sacramentos ou ordenanças deixadas por Cristo para sua Igreja, a mesma denota de forma muito contundente a verdadeira essência do cristianismo. No princípio a Ceia era feita de forma diferenciada da Ceia Cristã do século XXI, já que, era realizado um verdadeiro banquete que não se resumia apenas ao pão e ao vinho. Neste banquete era separado um momento para que os cristãos comessem do pão e bebessem do vinho em memória de Cristo.

Quando Cristo Ceou com seus discípulos a beira de seu martírio ele instaurou tal momento como algo perpétuo para sua Igreja “Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lhe, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22.17-20). Percebemos através do Evangelho de Lucas a grande importância da Ceia para a vida da Igreja, já que, a mesma tem o objetivo de recordar a cristandade acerca da perpetuidade daquilo que cristo realizou por sua Noiva, a saber, a Igreja, pois o cristianismo é indubitavelmente a religião da memória.

Doravante, a Ceia ser um memorial a Cristo ela denota questões que revelam a própria natureza da Igreja as quais listaremos a seguir: a Ceia demonstra para a cristandade sobre o amor sacrificial de Cristo por sua Igreja, a Ceia atesta sobre os benefícios recebidos pela Igreja por meio da obra salvífica de Cristo e a Ceia é o momento próprio para demonstrar a comunhão cristã tanto com Cristo quanto uns com os outros. Estes três aspectos revelam de forma sucinta a verdadeira essencial do cristianismo, já que, é na Ceia que podemos ter um momento ímpar para recordamos e refletirmos sobre tudo aquilo que Cristo alcançou e continua alcançando por meio de seu ministério.

É de grande valor recordar o sacrifício de Cristo por sua Igreja, ele se esvaziou de si mesmo para habitar em um corpo humano, ele pregou a mensagem do Reino, curou e salvou muitas vidas, ele foi preso, julgado, açoitado e crucificado por nós. Cristo falou a seus discípulos que ele daria sua vida por eles, seu amor altruísta abriu caminho para a salvação daqueles que ele amou. A Ceia nos faz recordar tudo isto e este momento nos conduz a darmos graças a Deus por seu amor imensurável, sem contar que ele serve de combustível para fé cristã levando a cristandade a não perder jamais suas raízes, raízes estas arraigadas no amor sacrificial de Cristo por seu povo.

Este momento solene é de suma relevância para a vida cristã, pois lembra os cristãos acerca dos enormes benefícios que Cristo conquistou em prol de seus eleitos. Destacamos como um destes benefícios à remissão de pecados de forma perpétua, já que, o sacrifício de Cristo foi perfeito. Lembremo-nos que os sacrifícios veterotestamentários possuíam um caráter temporário e não definitivo, mas Cristo por meio de seu sacrifício operou a purificação dos pecados de seu povo de uma vez por todas extinguindo assim a necessidade de mais sacrifícios em prol do perdão divino “E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lhe, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mateus 26.27-28). Outro benefício de suma relevância que a Ceia remonta é a obra da redenção operada por Cristo, ele conquistou nossa salvação nos dando vida eterna, ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o seu Reino de amor “e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado; em quem temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados” (Colossenses 1.13-14). Não podemos nos olvidar que a Ceia também relembra a cristandade que Cristo um dia regressará para buscar a sua Igreja.

Um fator de suma relevância para a vida cristã é sem dúvida alguma a comunhão. Quando Cristo instaurou a Ceia ele estava reunido com seus amigos mais chegados, ou seja, seus discípulos, o fato deles estarem reunidos em volta de uma mesa e comendo a mesma comida e bebendo a mesma bebida demonstra o grande amor que ele nutria por seus amigos “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lhe, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai” (Mateus 26.26-29). Portanto quando ceamos demonstramos nossa comunhão com Cristo participando de seu corpo simbolizado no pão e de seu sangue simbolizado no vinho. É notório também que a Ceia demonstra a comunhão entre os cristãos, uns para com os outros, “portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros” (1ª Coríntios 11.33). Paulo procura incutir na mentalidade dos crentes de Corinto a importância de aguardar os irmãos para participarem da Ceia, já que, ocorria um problema terrível na Igreja dos Coríntios, enquanto uns comiam em demasia outros ficavam sem nada, por isto Paulo os exorta a esperarem uns pelos outros, pois somos um só corpo em Cristo Jesus.

Estes aspectos são essenciais para compreendermos melhor o significado do cristianismo e é através deste sacramento, ou ordenança, que como cristãos lembramos nossas origens e a quem devemos todo o nosso amor e devoção. Cristo é o cerne da Ceia e ela serve para nunca nos esquecermos deste fator, Ele morreu e ressuscitou em prol de sua Igreja e um dia voltará para buscá-la.

Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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