sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Centralidade da Cruz na Vida Cristã.


Como alguém no 1º século que vivia sob domínio do império romano poderia imaginar que a crucificação de um homem em um pequeno país poderia e viria a mudar o mundo?  Como tais indivíduos poderiam imaginar que a cruz, símbolo este que causava horror, vergonha e desespero iria se reciclar em um símbolo de amor, esperança e salvação?

Cristo Jesus morreu em uma cruz, amainando desta forma por meio de seu amor sacrificial a ira de Deus contra pecado. A crucificação de Jesus trouxe perdão para o seu povo eleito. Cristo não foi assassinado, mas como o próprio Jesus falou Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para retomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para dá-la, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai (João 10.17-18).

Desde o princípio e de acordo com as Sagradas Escrituras Jesus o Cristo sabia que deveria morrer crucificado. Algumas vezes em seus discursos tanto aos discípulos quanto ao povo Ele falou como e porque deveria morrer por meio da crucificação. Disse Jesus certa vez: Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á (Mateus 16.24-25). Como supracitamos, nos tempos de Cristo a cruz era um símbolo de morte e sofrimento, portanto, pensando como um indivíduo do 1º século e Jesus também se encaixa neste perfil, não é difícil de imaginar que Jesus comtemplava a Cruz da mesma forma (note que falamos acerca do método de execução e do madeiro em si e não do que Jesus veio a alcançar com sua morte na cruz). Destarte, o cristão deve ter em mente que carregar a cruz é uma atitude que o conduzirá a perseguição, ao sofrimento, a abnegação, ao abandono e muitas vezes a morte tudo em nome da fé cristã. Foi isto que Jesus relatou aos seus discípulos “no mundo tereis aflições, sereis perseguidos e odiados por todas as nações, sereis aprisionados, torturados, abandonados tudo por amor do meu nome, mas não se olvidem que antes de vocês o mundo me odiou, porém, não desfaleçam, mas, tenhais bom ânimo, pois eu venci o mundo e vocês também o vencerão”.

A cruz deve ser parte integrante da vida e jornada cristã. Cristo asseverou que aquele que quisesse ser seu discípulo deveria negar-se a si mesmo, tomar sua cruz para então segui-lo. É esta a sina de todo cristão autêntico, daquele que se nomeia discípulo de Cristo Jesus, a saber, abrir mão do eu para carregar sua cruz individual. O verdadeiro discípulo é aquele que assim como seu Mestre está disposto a dar sua própria vida em beneficio de muitos e de sua fé.

A cruz não é e não pode ser para o cristão um mero amuleto de proteção – isto é feitiçaria. A cruz não pode ser vista por nos cristãos ainda hoje como um símbolo de vergonha e horror, já que, Cristo deu um novo sentido ao seu simbolismo. A Cruz recorda aos cristãos o grande amor de nosso Salvador. A cruz relembra aos cristãos sobre o seu papel no mundo. A cruz revela a integridade e compromisso da Igreja do Senhor para com as ovelhas perdidas. Ela é a ponte que mostra ao pecador que existe uma solução, que existe uma esperança e que acima de tudo existe o perdão para os seus pecados.

A Cruz foi um excelente veiculo de ensino que Cristo utilizou para mudar os paradigmas do mundo. Cristo se tornou maldito quando foi pendurado no madeiro em prol de abençoar muitos por meio de sua morte. Ele doou sua própria vida em prol de indivíduos que expressavam apenas desprezo por Ele. Cristo perdoou em seu estado de quase morte todos aqueles que zombaram, escarneceram e crucificaram-no. Jesus cumpriu até o fim a missão que o Senhor o havia determinado. Tudo isto Ele realizou por amor aos seus eleitos. 

Como crentes temos a missão de seguir os passos de Jesus, mesmo que para isto tenhamos que morrer. O quanto estamos distantes como Igreja Ocidental de realmente carregarmos nossa cruz. Quantos de nós ao invés de carregar a cruz tem apenas servido como meros espectadores?

Fomos chamados por Deus para vivermos o cristianismo como ele é e não apenas como ouvintes ou meros agregados. Somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva do Senhor. Devemos fazer a diferença no mundo, para isto é necessário termos a cruz como o cerne de nossas vidas. A cruz deve nortear nossos sonhos, projetos, ambições, ou seja, ela deve ser o combustível que conduz nossa vida ao alvo determinado por Deus para nós.  

Deus não se apraz em quem retrocede. Assim, como Jesus, carecemos colocar a vontade soberana de Deus acima da nossa própria vontade. Notemos a mais pura verdade que sem cruz não há cristianismo, sem cruz não há discípulo, sem Cruz não há Cristo. Ela é essencial para nos tornarmos cristãos autênticos e vivenciarmos o verdadeiro cristianismo.
Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Verdadeiro Significado da Santa Ceia.


Notemos que além da Ceia ser um dos dois sacramentos ou ordenanças deixadas por Cristo para sua Igreja, a mesma denota de forma muito contundente a verdadeira essência do cristianismo. No princípio a Ceia era feita de forma diferenciada da Ceia Cristã do século XXI, já que, era realizado um verdadeiro banquete que não se resumia apenas ao pão e ao vinho. Neste banquete era separado um momento para que os cristãos comessem do pão e bebessem do vinho em memória de Cristo.

Quando Cristo Ceou com seus discípulos a beira de seu martírio ele instaurou tal momento como algo perpétuo para sua Igreja “Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lhe, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22.17-20). Percebemos através do Evangelho de Lucas a grande importância da Ceia para a vida da Igreja, já que, a mesma tem o objetivo de recordar a cristandade acerca da perpetuidade daquilo que cristo realizou por sua Noiva, a saber, a Igreja, pois o cristianismo é indubitavelmente a religião da memória.

Doravante, a Ceia ser um memorial a Cristo ela denota questões que revelam a própria natureza da Igreja as quais listaremos a seguir: a Ceia demonstra para a cristandade sobre o amor sacrificial de Cristo por sua Igreja, a Ceia atesta sobre os benefícios recebidos pela Igreja por meio da obra salvífica de Cristo e a Ceia é o momento próprio para demonstrar a comunhão cristã tanto com Cristo quanto uns com os outros. Estes três aspectos revelam de forma sucinta a verdadeira essencial do cristianismo, já que, é na Ceia que podemos ter um momento ímpar para recordamos e refletirmos sobre tudo aquilo que Cristo alcançou e continua alcançando por meio de seu ministério.

É de grande valor recordar o sacrifício de Cristo por sua Igreja, ele se esvaziou de si mesmo para habitar em um corpo humano, ele pregou a mensagem do Reino, curou e salvou muitas vidas, ele foi preso, julgado, açoitado e crucificado por nós. Cristo falou a seus discípulos que ele daria sua vida por eles, seu amor altruísta abriu caminho para a salvação daqueles que ele amou. A Ceia nos faz recordar tudo isto e este momento nos conduz a darmos graças a Deus por seu amor imensurável, sem contar que ele serve de combustível para fé cristã levando a cristandade a não perder jamais suas raízes, raízes estas arraigadas no amor sacrificial de Cristo por seu povo.

Este momento solene é de suma relevância para a vida cristã, pois lembra os cristãos acerca dos enormes benefícios que Cristo conquistou em prol de seus eleitos. Destacamos como um destes benefícios à remissão de pecados de forma perpétua, já que, o sacrifício de Cristo foi perfeito. Lembremo-nos que os sacrifícios veterotestamentários possuíam um caráter temporário e não definitivo, mas Cristo por meio de seu sacrifício operou a purificação dos pecados de seu povo de uma vez por todas extinguindo assim a necessidade de mais sacrifícios em prol do perdão divino “E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lhe, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mateus 26.27-28). Outro benefício de suma relevância que a Ceia remonta é a obra da redenção operada por Cristo, ele conquistou nossa salvação nos dando vida eterna, ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o seu Reino de amor “e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado; em quem temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados” (Colossenses 1.13-14). Não podemos nos olvidar que a Ceia também relembra a cristandade que Cristo um dia regressará para buscar a sua Igreja.

Um fator de suma relevância para a vida cristã é sem dúvida alguma a comunhão. Quando Cristo instaurou a Ceia ele estava reunido com seus amigos mais chegados, ou seja, seus discípulos, o fato deles estarem reunidos em volta de uma mesa e comendo a mesma comida e bebendo a mesma bebida demonstra o grande amor que ele nutria por seus amigos “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lhe, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai” (Mateus 26.26-29). Portanto quando ceamos demonstramos nossa comunhão com Cristo participando de seu corpo simbolizado no pão e de seu sangue simbolizado no vinho. É notório também que a Ceia demonstra a comunhão entre os cristãos, uns para com os outros, “portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros” (1ª Coríntios 11.33). Paulo procura incutir na mentalidade dos crentes de Corinto a importância de aguardar os irmãos para participarem da Ceia, já que, ocorria um problema terrível na Igreja dos Coríntios, enquanto uns comiam em demasia outros ficavam sem nada, por isto Paulo os exorta a esperarem uns pelos outros, pois somos um só corpo em Cristo Jesus.

Estes aspectos são essenciais para compreendermos melhor o significado do cristianismo e é através deste sacramento, ou ordenança, que como cristãos lembramos nossas origens e a quem devemos todo o nosso amor e devoção. Cristo é o cerne da Ceia e ela serve para nunca nos esquecermos deste fator, Ele morreu e ressuscitou em prol de sua Igreja e um dia voltará para buscá-la.

Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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