segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Inclusão Gentílica na Comunidade Cristã de Conformidade com Atos dos Apóstolos Capítulo Dez.

Durante muitos séculos, mais precisamente desde o chamado de Abraão apenas o povo judaico poderia se chamar de povo e nação exclusiva de Deus. Porém, Deus havia dito a Abraão que todas as nações da terra seriam abençoadas por meio de seus descendentes, promessa esta que teve seu cumprimento completo através da obra salvífica de Cristo.

O livro de Atos em especial nos demonstra como se procedeu à inclusão no Reino de Deus dos povos que outrora eram desprezados pelos judeus, mas não pelo Senhor. É valido ressaltar, que Cristo em seu ministério na terra fundou a Igreja estabelecendo sobre ela seus apóstolos (todos judeus) que possuíam a preeminência (ao menos no princípio da Igreja) de levar a mensagem do Reino de Deus às nações: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.8). A partir do martírio de Estevão, Deus se utilizou de uma perseguição que se levantou contra a Igreja em Jerusalém para dispersar os discípulos pelas regiões da Judéia e Samaria. Por causa deste evento, os discípulos foram obrigados a partirem de Jerusalém levando assim o Evangelho a outros povos.

A evangelização a outras nações teve seu principio com Felipe ao apregoar o evangelho aos samaritanos (povo considerado pelos judeus como cães, devido a suaorigem mistaentre judeus e gentios), provando de uma vez por todas que Deus não faz acepção de pessoas. A prova cabal da inclusão de outros povos a nova Aliança conquistada por Jesus Cristo foi à descida do Espírito Santo sobre eles, selando de uma vez por todas a abertura do Reino de Deus para outras nações.

O segundo passo que revelava a inclusão de outros povos na comunidade cristã foi à conversão de um eunuco africano (provavelmente um prosélito judeu) que havia se convertido ao judaísmo. Felipe o explica uma passagem veterotestamentária que dizia respeito a cristo, tal explicação conduziu o eunuco a conversão à fé cristã e logo em seguida ao batismo que confirmava seu compromisso unicamente com Cristo.

O terceiro passo foi à conversão de Saulo no caminho de Damasco, o mesmo que adotaria a versão grega de seu nome, a saber, Paulo apóstolo de Cristo aos gentios. Ele não possuiu nenhuma importância direta na abertura do Reino de Deus aos gentios, mas seria num futuro próximo o principal expoente de Deus para a propagação do evangelho às nações gentílicas.

Por fim, adentramos no capítulo dez de atos dos apóstolos, Lucas nos apresenta a princípio a história de Cornélio, em seguida a visão de Pedro, a chegada dos emissários até Pedro e sua eventual partida ao encontro de Cornélio, que levou à conversão do mesmo e a vinda do Espirito Santo sobre os gentios.

O ponto chave desta história jaz na revelação dada a Pedro por Deus: "No dia seguinte, indo eles seu caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado para orar, cerca da hora sexta. E tendo fome, quis comer; mas enquanto lhe preparavem a comida, sobreveio-lhe um êxtase, e via o céu aberto e um objeto descendo, como se fosse um grande lençol, sendo baixado pelas quatro pontas sobre a terra, no qual havia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu. E uma voz lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro respondeu: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. Pela segunda vez lhe falou a voz: Não chames tu comum ao que Deus purificou. Sucedeu isto por três vezes; e logo foi o objeto recolhido ao céu" (Atos 10.9-16). Através desta visão Pedro entendeu que Deus não faz acepção de pessoas e que ele como um judeu cristão tinha por dever ser imitador de Cristo, portanto, Pedro como uma nova criatura não poderia desmerecer outras nações diante da salvação a qual Deus por intermédio de Jesus concedia as mesmas.

Ao chegar à casa de Cornélio em Cesárea, Pedro dispõem-se a apregoar as boas novas do Evangelho e antes do apóstolo cessar sua exposição o Espírito Santo desce sobre os gentios que encontravam-se na casa de Cornélio selando de uma vez por todas a promessa feita por Deus a Abraão, a qual dizia respeito à benção que Ele traria sobre todas as nações da Terra por meio da descendência de Abraão. É a partir de Cornélio, que o evangelho toma proporções inimagináveis em sua expansão. O Evangelho se expandiu por todo o mundo chegando a possuir em nossos dias cerca de dois bilhões de cristãos em todo o planeta Terra (sendo sua maioria absoluta composta por cristãos gentios). Cumpriram-se as Escrituras, pois um povo que outrora não se chamava povo de Deus agora se tornou povo de Deus, um povo que antes era inimigo de Deus agora é chamado de filhos de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo.

Deus mostrou que a salvação conquistada por seu Filho na cruz não era apenas privilégio dos judeus que creram, mas também de todos os indivíduos sem distinção que cressem em Cristo. A salvação pertence aos que creem e não a um grupo ou nação exclusiva como os judeus acreditavam. Através do sacrifício de Jesus Cristo a salvação tornou-se real e disponível para o Israel de Deus.Deu-se assim, a inclusão gentílica a comunidade cristã, tendo Cornélio como seu primeiro convertido.

Devemos aprender de Deus esta lição. Como cristãos não podemos agir com exclusividade preterindo assim alguns indivíduos e excluindo outros de nosso convívio. Não podemos ser movidos pelas aparências ou por classes sociais. A Igreja é um local de inclusão social e racial. Nós ocidentais somos parte da Igreja gentílica que teve seu início com a conversão de Cornélio, que possamos fazer a diferença nesta mundo como verdadeiros imitadores de Jesus Cristo. 


Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.



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