sexta-feira, 16 de março de 2012

Cultivando as Virtudes Cristãs: Uma Análise de Romanos 12.9-21 - Segunda Parte.


Na primeira parte deste artigo analisamos os versículos nove a doze que tratavam acerca do amor, da honra, do zelo para com as coisas de Deus, do fervor na vida espiritual, do serviço a Deus, da esperança em Cristo, da paciência na tribulação, da perseverança na oração. Todas estas virtudes propostas por Paulo nos versículos de Romanos doze os quais supracitamos são parte essencial na vida do cristão autentico, e é de extrema importância cultivá-las para que possamos vivenciar o cristianismo fundado por Jesus Cristo.

(A seguir, continuaremos a análise dos versos de Romanos capítulo doze. Para tanto trataremos nesta parte os versos treze a dezesseis). 

O verso treze de Romanos doze nos relata o seguinte: “Acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade. Na primeira parte deste versículo devemos perceber que é nosso dever como cristãos ajudar uns aos outros participando assim das necessidades dos santos, ou seja, é nossa responsabilidade nos identificar com as necessidades dos nossos irmãos em Cristo tomando desta forma as mesmas como de fossem nossas. Como um só corpo devemos partilhar das necessidades uns dos outros. Também não podemos nos olvidar que o compartilhar e acudir as necessidades uns dos outros nos leva a uma concepção implícita no cristianismo da vivencia em comunidade abrindo mão muitas vezes das individualidades, portanto, deveríamos segundo o apóstolo Paulo contribuir muitas vezes com nossas posses com o intuito de suprir as necessidades uns dos outros. A segunda parte do versículo trata acerca da hospitalidade, virtude esta que o próprio Jesus incentivou seus discípulos a praticarem. A hospitalidade deve ser exercida por todo cristão não com murmurações, mas, voluntariamente. É certo que nos tempos de Cristo esta virtude apresentava-se mais urgente para a cristandade como um todo, devido a perseguições e viagens missionárias delongadas, porém enquanto houver a Igreja na face da terra, será dever de todo cristão praticar a hospitalidade, já que ela é um paradigma relevante de como o cristão deve participar das necessidades uns dos outros.

O apóstolo Paulo no verso seguinte nos exorta à: abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis (Romanos 12.14). Através desta exortação Paulo quer impactar a vida cristã, pois nenhuma outra exortação é mais difícil para os seres humanos do que esta. Aqui ganhamos inimigos não por males que praticamos contra os outros, mas o contrário, pelo bem praticado. Se praticamos o bem recebemos em troca perseguições e injustiças Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser (Romanos 8.7). É natural de todo ser humano quando perseguido ou injustiçado guardar mágoa e ressentimentos em seus corações, tudo isto traz consigo o pensamento de vingança. Doravante, como cristãos (e é isto que o apóstolo quer tratar e nos ensinar) devemos manter nossos corações dispostos a praticarem a bondade atitude esta que carece ser demonstrada por meio das bênçãos que clamamos a Deus em favor daqueles que nos perseguem. Todo este ensino reflete com êxito as palavras de Cristo Jesus: Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem (Mateus 5.44). No que concerne a abençoar e não amaldiçoar, Paulo destaca que a função cristã não pode estar vinculada a discrepância de abençoar amaldiçoando, mas abençoar os que nos perseguem sem nenhum tipo de hipocrisia ou fingimento. 

Os versículos quinze e dezesseis, falam o seguinte: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram;sedes unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos. Percebemos em versículos anteriores que o cristão autêntico é aquele que consegue se identificar com as necessidades dos outros. Quando o apóstolo Paulo incentiva o cristão a alegrar-se com os que se alegrem, o motivo desta alegria não se firma em qualquer tipo de aspecto, mas num regozijo que se fundamenta na satisfação em Deus (“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. Filipenses 4.4). Portanto, tal alegria e regozijo são originados devido ao favor e as bênçãos divinas. Devemos aqui observar que esta virtude é algo gerado em nos pela transformação que Cristo realizou em nossas vidas, já que somos conduzidos a amar nosso próximo como a nos mesmos e indubitavelmente somos conduzidos a apreciar o companheirismo, tomando assim a alegria do outro como se fosse nossa. 

chorai com os que choram, em um mundo que tem perdido sua sensibilidade chegando muitas vezes a alegrarem-se com as calamidades alheias, o cristianismo se mantem como um paradigma para a humanidade. O choro na maioria das vezes é símbolo de tristeza, dor e pesar de coração. É patente ao cristão nascido de novo se compadecer e sofrer juntamente com aqueles que se encontram nesta situação. Tiago cinco verso treze diz: Está aflito alguém entre vós? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. E Provérbios vinte e cinco verso vinte: O que entoa canções ao coração aflito é como aquele que despe uma peça de roupa num dia de frio, e como vinagre sobre a chaga. Devemos acompanhar e fortalecer em amor nossos irmãos que estão passando por aflições.

sedes unânimes entre vós, Paulo trata acerca do companheirismo que precisa existir no âmbito cristão, tal parceria não pode estar firmada na superficialidade, mas em nossas ações para com o próximo. O cristão necessita possuir o mesmo sentimento uns para com os outros, portanto não pode haver discordância no Corpo de Cristo no que concerne a prática destas virtudes.

não ambicioneis coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes, o apóstolo alerta os cristão a lançarem mão de suas ambições dando assim mais valor as coisas humildes. Portanto devemos estar contentes com os aspectos humildes da vida Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei (Hebreus 13.5).

não sejais sábios aos vossos olhos, não podemos ser autossuficientes, nem pensar que somos as pessoas mais sábias ou importantes do mundo, não valorizando de forma alguma as opiniões de outros indivíduos. Portanto, devemos ser humildes levando sempre em consideração as opiniões uns dos outros, Tiago três dezessete diz: Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.

Podemos por meio de o exposto asseverar o quanto o cristianismo bíblico se preocupa em incutir na vida de seus discípulos uma vida totalmente transformada, vida esta que se encaixa na vontade e amor de Deus. O fato de sermos novas criaturas nos faz demonstrar através da prática das virtudes cristãs que não basta apenas nos preocuparmos com nós mesmos, mas devemos nos preocupar e vivenciar junto ao nosso próximo suas experiências seja elas boas ou ruins. Esta deve ser a atitude do cristão para com seu próximo, nossa missão consiste em amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, e é nisto onde o amor de Deus se revela por meio da Igreja.
Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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