terça-feira, 6 de março de 2012

Cultivando as Virtudes Cristãs: Uma Análise de Romanos 12.9-21 - Primeira Parte.

Em face do mal que constatamos todos os dias percebemos o quanto o ser humano é capaz de tornar-se um ser extremamente cruel, todo este mal é fruto do pecado que é inerente a todos que compõem a raça humana. A igreja tem por papel fundamental procurar amenizar todo este mal no mundo, através de sua influência, Cristo nos incumbiu de sermos a luz e o sal deste mundo e como tal devemos começar a transformar nosso mundo moral, espiritual e eticamente de dentro para fora, pois é através do nosso testemunho e pregação que o mundo contemplará um pouco da misericórdia e amor de Deus. Lembremos que a Igreja no primeiro século alcançou um bom testemunho do mundo por meio do seu estilo de vida. Para isto é essencial cultivarmos as virtudes cristãs expurgando desta forma a malignidade que existe em nosso coração por natureza, pois desta forma conseguiremos induzir o mundo a preocupar-se um pouco mais com o seu próximo e com a criação de Deus.

Mas, então, quais são estas virtudes cristãs que a igreja deve cultivar?

É necessário em primeiro lugar deixarmos claro que tais virtudes só podem ser vivenciadas genuinamente por cristãos que passaram pelo novo nascimento, portanto, é inviável para qualquer indivíduo quer incrédulo ou que professe o cristianismo ou outra religião que não nasceu da água e do Espírito, segundo as palavras de Cristo, conseguir de forma plena cultivar e vivenciar tais virtudes.

O apóstolo Paulo em sua carta aos romanos recomenda à Igreja que cultive as seguintes virtudes: o amor sincero, o apego ao bem, o amor cordial e fraternal, a honra para com o próximo, o zelo para com as coisas divinas, o fervor no espírito, o serviço a Deus, o regozijar-se na Esperança de Cristo, a paciência em momentos difíceis, a perseverança na oração, o compartilhar das necessidades uns com os outros, a hospitalidade, o amor para com os inimigos, a longanimidade, a simpatia e a humildade.

Ante estes aspectos percebemos o quanto o comportamento cristão deve se diferenciar do mundo, já que, o mundo se apresenta de uma forma totalmente diferente da realidade imposta por Cristo para sua verdadeira Igreja. A Igreja é o reino de Deus na terra, e como tal deve emanar suas virtudes em meio ao mundo caído e dominado pelo poder do pecado.

O capítulo doze de romanos trata acerca dos aspectos práticos e concretos da santificação, porém, os versículos nove a vinte e um se atem principalmente aos deveres patentes a toda cristandade que em hipótese alguma podem ser negligenciados. Paulo quer de uma vez por todas demonstrar não apenas aos cristãos romanos, mas para todos aqueles que compõem a Igreja invisível e universal de Cristo a real importância e urgência das virtudes cristãs em relação ao próprio crente e para com o mundo, já que, é a obrigação da Noiva do Cordeiro colocá-las em ação.

(Nesta primeira parte trataremos exclusivamente os versículos nove a doze).

Nos versículos nove a dez do capítulo 12 de Romanos, Paulo nos diz o seguinte: 9 O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Nestes versículos O apóstolo assevera acerca da importância de lançarmos fora de nossas vidas à hipocrisia, já que, tal característica se opõe a verdade que deve ser o principal sustentáculo do amor. Portando o verdadeiro amor deve sempre ser movido pela sinceridade de sentimentos e atitudes quer para Deus ou para o próximo. A continuidade do verso nove é uma ordenança dada por Paulo à Igreja, ordenança esta que é essencial para uma vida salutar da Igreja de Cristo. Portanto é papel do crente odiar tudo aquilo que pertence ao reino das trevas, pois nossas atitudes de amor e lealdade devem ser totalmente direcionadas para aquilo que agrada e é a vontade de Deus. Quando voltamos nossa atenção para o versículo dez, percebemos que o apóstolo Paulo procura direcionar os crentes em Cristo a desenvolverem afeições fraternais uns para com os outros (um amor familiar). É também perceptível ao leitor mais atento à notável nota de Paulo ao ensinar os crentes a honrarem-se uns ao outros, esta atitude muitas vezes requererá do cristão abrir mão de louvores ou elogios pessoais para fazê-los aos nossos irmãos na fé. Podemos utilizar como paradigma a atitude de João Calvino em relação a Lutero:

“Ainda que Lutero me chamasse de diabo, eu o honraria e lhe chamaria um ilustre servo de Deus”. (Así fue Calvino, Biografia – Thea B. Van Halsema).

O verso 11 nos diz: 11 Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”. Paulo exorta a Igreja em primeiro lugar a não se cansar em sua missão de fazer o bem, não devemos poupar esforços para cumprir tal missão. Em segundo lugar o apóstolo trata acerca da nossa disposição (disposição do nosso espírito) que direcionada pelo Espírito Santo nos conduzirá há uma vida fervorosa que caminha de acordo com a vontade divina. Em terceiro lugar Paulo nos oferece a razão pela qual as demais exortações se sustentarão na prática da vida Cristã, a saber, o serviço a Deus. Portanto, o objetivo principal das duas primeiras exortações deste versículo é nos conduzir a cumprir com êxito o serviço a Deus. Então, notamos que devemos ter por cerne de nossas vidas a servidão em amor a Deus, pois quando deixamos esta atitude em segundo plano corremos o sério risco de ficarmos desanimados. O serviço ao Senhor possui duas funções principais para a vida cristã: despertar-nos da ociosidade e regular nosso zelo para que não se torne excessivo, fazendo-nos desta forma ultrapassarmos a esfera do serviço ao Senhor.

O versículo doze diz o seguinte: 12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração. Paulo traz para a Igreja três exortações que se encontram ligadas entre si que são a esperança, a paciência e a perseverança. A esperança neste verso se refere ao futuro, portanto o cristão jamais deve ter sua fé e esperança limitadas pelo que é visível e temporal. Portanto até nossa salvação é condicionada pela esperança (“Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Romanos 8.24). Esta esperança que deve ser patente a todo escolhido é sem dúvida uma expectação inigualável do crente no que concerne a glória de Deus, que envolve tanto a salvação quanto um gozo inefável com Jesus por toda a eternidade. É válido ressaltar também que a esperança é a causa ou o fundamento para a alegria do crente, e é por causa desta esperança em Deus que o crente se alegra mesmo em meio as adversidades. Já a paciência na tribulação denota a ideia de mostrarmo-nos perseverantes em meio a tantas adversidades que se apresentam no decorrer da caminhada cristã. É inevitável que como crentes verdadeiros passemos por muitas tribulações, Cristo já falou que no mundo teríamos aflições, lembremo-nos o que Lucas falou em Atos 14.22: confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. Portanto, segundo John Murray “tal exortação evoca a necessidade de constância e perseverança naquilo que permeia a vida da fé”. No que diz respeito à perseverança na oração, é esta atitude que conduzirá o cristão a vencer as tribulações. Segundo John Murray “a oração é o instrumento determinado por Deus para o suprimento da graça suficiente para toda circunstância e, particularmente eficaz, contra o desencorajamento de coração a que somos tentados pelas aflições”.

Nesta breve exposição dos versos nove a doze percebemos o quanto torna-se urgente para a cristandade colocarmos em prática as virtudes cristãs, pois são elas que capacitarão o crente a tornar-se verdadeiro imitador de Cristo Jesus. Devemos professar nossa fé não apenas com nossa boca, mas principalmente com nossas ações para com Deus, para com a Igreja e para com o mundo.

Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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