sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Verdadeira Adoração: Uma Análise de João 04. 19-30.


Quando falamos acerca da verdadeira adoração a Deus sempre nos questionamos: Como devemos adorar a Deus? Quais são os locais mais apropriados de adoração? Existe um paradigma que dirija os métodos de adoração?

Para respondermos estas preguntas iremos analisar as palavras de Jesus sobre este assunto, as quais estão descritas no Evangelho de João. No capítulo quatro de João, o apóstolo nos descreve um cenário no qual Jesus se encontra com uma mulher samaritana e após um breve diálogo ela percebe que estava diante do Profeta de Deus e o questiona acerca do verdadeiro local onde se deveria adorar ao Senhor: “Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.” (João 4.19-20). Devemos aqui remontar aos anais históricos da nação israelita. Lembremo-nos que havia uma rixa histórica entre israelitas e samaritanos, já que os judeus não aceitavam os samaritanos como povo de Deus, pois eles eram uma raça mista (de judeus e gentios).

Diante deste quadro a pergunta da mulher samaritana foi muito pertinente, pois para os judeus o único local de adoração era Jerusalém, enquanto para os samaritanos era Gerizim. Jerusalém era a cidade escolhida pelo rei Davi para ser o local onde ficaria o templo do Senhor, enquanto que o monte Gerizim, foi o local escolhido para ser o local de adoração do reino do Norte que mais tarde viria a ser o local de adoração de uma raça e religião misturada (sincretista), a saber, os samaritanos. Afinal onde devemos realmente adorar?

William Hendriksen em seu comentário do evangelho de João nos diz: “Para Jesus o que importa não é o local de adoração, mas sim a atitude do coração e da mente e a obediência à verdade de Deus, no que diz respeito ao objeto e ao método da adoração” (pp. 224). Portanto o que realmente é importante não é onde devemos adorar, mas como adoramos a Deus e quais os objetivos de nossa adoração.

Após a pergunta da mulher samaritana Jesus, traz a seguinte solução: “Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.” (João 4.21). Que resposta maravilhosa é dada pelo Senhor Jesus àquela mulher. Jesus simplesmente remove todo ar de disputas entre os povos dizendo que chegaria o dia em que os eleitos de Deus não precisariam de nenhum lugar exclusivo para adoração, mas, os mesmos adorariam ao único Deus (por meio de Cristo Jesus) da igreja universal (“Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” – Mateus 18.20).

Finalmente no versículo vinte e três Jesus dá as diretrizes de como devemos adorar a Deus: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4.23). Neste versículo Jesus enfatiza dois aspectos essenciais para a verdadeira adoração, em primeiro lugar ele deixa bem claro que a adoração a Deus não está restrita a lugares específicos (João 4.21), e em segundo lugar tal adoração é operada no âmbito da verdade e do conhecimento autêntico de Deus (conhecimento este que é derivado de sua revelação especial, a saber, Cristo Jesus – João 4.22).

Para Willian Hendriksen a adoração em espírito e em verdade têm por significado honrar a Deus de tal maneira que todo nosso ser entra em ação, sendo que esta adoração deve estar norteada e em plena harmonia com as sagradas Escrituras. (Comentário de João, pp. 225).

Percebemos um grande equilíbrio proposto por Cristo nestas palavras, onde a adoração a Deus não deve ser movida apenas pelo lado espiritual e menos ainda pelo lado racional. Deve haver um equilíbrio absoluto destas duas esferas: o espiritual e o racional (uma adoração direcionada pelo pleno conhecimento bíblico). Devemos nos lembrar das palavras de nosso Mestre que os verdadeiros adoradores adoram a Deus em “espírito” e em “verdade”.

Em dias hodiernos muitos de nós pensamos que adorar a Deus é ir para a igreja e no momento de louvor fechar nossos olhos, erguer nossas mãos, derramar lágrimas e etc. Não queremos dizer que tudo isto é ilícito, pelo contrário queremos alertar que tudo isto é em vão se o fizermos da boca para fora (ou seja, por mera aparência ou emocionalismo). Devemos adorar a Deus em completude de vida e não em raros momentos.

Por mais que vivamos no mundo físico, devemos estar atentos que também vivemos no mundo espiritual, pois Deus é Espírito. Somos apenas peregrinos nesta terra, daí devemos nos desapegar das futilidades desta vida e andarmos em sintonia com as coisas espirituais. Porém, perceba que não podemos fazer isto de qualquer maneira, não se olvide da razão que Deus lhe deu e que existem normas para a verdadeira adoração, sendo que a principal delas é nortear-nos por meio das Sagradas Escrituras.

O véu do templo se rasgou, não precisamos mais de sacerdotes humanos que nos levem até Deus, não precisamos mais de sacrifícios para alcançar o perdão de nossos pecados. Jesus nos libertou do império das trevas e hoje somos livres para adorá-lo não apenas com nossos louvores e pregações, mas principalmente com nossas vidas.

Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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