quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Segunda Parte – A Obra Salvífica de Cristo: Expressão de Amor por seus Eleitos.

Doravante a todo o conteúdo exposto na primeira parte deste artigo, compreendemos que para muitos tal doutrina pode ser inconcebível, não através de argumentação bíblica, mas por meras conjecturas e suposições que têm como ponto de partida um racionalismo centrado no Homem (antropocentrismo) e não em Deus (teocentrismo).

Muitas objeções são levantadas contra a doutrina da expiação limitada. O que podemos dizer a respeito das afirmações bíblicas de que Jesus morreu em favor do “mundo”? Tais afirmações devem sempre ser comparadas a outras proposições bíblicas, já que, a bíblia se explica por ela mesma e nela não existem discrepâncias. Quando colocamos tais passagens em contraste com outras nas Escrituras, percebemos que as mesmas nos declaram de forma bem específica por quem Jesus morreu. Afinal, o que significa o termo mundo nas santas Escrituras? Há consenso entre muitos estudiosos da Palavra que o termo grego para mundo quando se refere à salvação não diz respeito à humanidade como um todo, mas o termo reporta-se à inclusão na salvação de tribos, raças e nações. Cristo não é Salvador apenas de judeus, mas de pessoas de todas as línguas, raças e nações que foram eleitas por Deus. Portanto, cremos que a expiação tem implicações para todo o mundo, mas com isto não queremos dizer que cada indivíduo do mundo será salvo, pois isto é privilégio dos eleitos de Deus.

Outros indivíduos vociferam contra a doutrina da expiação limitada, por acharem que a mesma aniquila com a grandeza de Deus e a obra salvífica de Cristo. Na realidade são seus pressupostos racionalistas e antropocentristas que aniquilam e desvalorizam a obra da expiação, já que é Deus quem deve se render aos desejos daqueles que se chamam à salvação, os quais, dizem eles, que possuem o livre-arbítrio para decidirem se querem ou não ser salvos, se querem ou não ser participantes da nova vida que Cristo oferece. A verdade é que enfatizamos aquilo que Cristo realizou nada além do que houvesse sido determinado desde a eternidade pela Trindade, e que Jesus concluiu com pleno êxito a obra que o Pai havia lhe designado cumprir. É fato que os homens não poderão jamais fazer com que a vontade soberana de Deus se manifeste de acordo com seus caprichos e reações pessoais. Deus é Senhor, e sua vontade soberana será cumprida de qualquer maneira, quer seja na humanidade ou no cosmos. Se Deus fosse movido pelos caprichos dos homens, haveria a possibilidade de que seu plano eterno consumado na obra salvífica de Jesus fosse invalidado pela vontade humana (já que poderíamos por nossa vontade aceitar ou negar à salvação – aqui a salvação seria possível para todos, mas não seria certa para ninguém) e no final ninguém seria salvo. Defendemos de acordo com a fé bíblica e reformada que a salvação é certa para os eleitos de Deus.

Outra colocação dos indivíduos que não aceitam tal posição bíblica acerca da expiação limitada (o sacrifício de Cristo foi em prol apenas dos eleitos) é que tal doutrina solapa a evangelização. Se Deus têm seus eleitos porque devemos evangelizar?  A Bíblia abarca duas funções principais, que são reveladas por meio de sua pregação, são elas: Gerar fé no coração dos eleitos (“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação. pela Palavra de Cristo” – Rm 10.17) e trazer julgamento para aqueles que não creram em sua pregação (“No dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu Evangelho” – Rm 2.16). Portanto, cremos e ensinamos que a expiação realizada por Cristo deve ser proclamada aos homens, afinal de contas não sabemos àqueles que são eleitos, isto, é um segredo pertencente somente a Deus. Os eleitos ouvirão a pregação do Evangelho e serão conduzidos a crer em Cristo pelo Pai. Porém, nós que somos homens não sabemos quem são os eleitos, portanto, nos é cabível pregar a mensagem do Reino a todos que compõem a humanidade “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Devemos pregar a todos embora saibamos que nem todos responderão ao Evangelho. Enfim, a pregação do Evangelho cumpre suas funções principais de julgar e conduzir a salvação aos eleitos.

“A expiação que Cristo realizou na cruz foi concreta e eficaz. Não foi uma expiação hipotética. Foi uma expiação genuína. Ele não ofereceu uma expiação hipotética em favor dos pecados de seu povo. Os pecados deles foram expiados. Cristo não fez uma expiação hipotética em favor de nossos pecados. Ele aplacou realmente a ira de Deus para conosco” (R.C. Sproul).

Contemplamos na oração sacerdotal de Jesus em João 17, que o mesmo não orou pelo mundo, mas por aqueles que o Pai o havia dado e os que o haveria de dar no decorrer dos séculos. Cristo não ourou em favor de todos, mas  a favor de um grupo específico de pessoas, ou seja, de seus eleitos.

“Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, ele reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti... eles... verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. É por eles que eu rogo” (Jo 17.6-9a).

Cristo veio para dar sua vida por suas ovelhas. Jesus morreu por seu povo escolhido, e nesta oração o mesmo deixa bem claro por quem ele se sacrificou. Jesus foi a expiação perpétua e eficaz por todos aqueles em favor dos quais ele tencionou que fosse propícia.

A certeza da salvação é algo que está patente aos eleitos de Deus. Se você puser sua confiança na morte de Cristo para a sua redenção e crer no senhor Jesus Cristo, pode assegurar-se de que a expiação que Jesus realizou através de sua obra salvífica foi realizada por você. Mais do que qualquer outra coisa, isso resolverá para você a questão do mistério da eleição de Deus. Porém se você não for um eleito, você pode até mostrar para os homens inicialmente uma vida de piedade, mas a árvore é conhecida por seus frutos, portanto, os não eleitos não conseguirão mostrar frutos dignos de arrependimento. Afinal as ovelhas de Cristo ovem sua voz, o entendem, o seguem, o obedecem e perseveram até o fim, pois desfrutam do novo nascimento.

Finalizamos este artigo asseverando que desde a eternidade, Deus determinou que redimiria e escolheria para si um povo, e aquilo que Deus projetou realizar Ele o fez por meio da obra salvífica de seu Filho. Amém.
Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto

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