domingo, 11 de dezembro de 2011

A Globalização do Evangelho à Luz de Atos: Uma Resposta ao Nacionalismo Judaico no I Século.

(Aqui não denominaremos globalização em seu sentido moderno, mas como a propagação do Evangelho por todo o mundo conhecido no I século).

O fato de Deus ter separado uma nação por meio de Abraão para abençoar todas as nações da Terra (Gn 12), Gerou em seus descendentes no decorrer dos anos um orgulho nacionalista exacerbado, isto fez com que os judeus falhassem em sua missão como nação escolhida por Deus para propagar Sua Glória. Israel deveria atrair as nações para Deus através de todos os grandes feitos do Senhor a seu favor. Porém, a nação passou a ter uma compreensão equivocada da eleição Divina, pois apregoavam que a salvação de Deus pertencia apenas à nação hebreia excluindo assim outras nações.

Ao enviar Jesus Cristo ao mundo, Deus Pai começa a mostrar Seu amor não só por judeus, mas por todas as nações.

Cristo em seu ministério terreno demonstra de forma ainda um tanto acanhada (pois ainda não era o tempo de propagar o Evangelho aos gentios e sim aos judeus) uma proto-evangelização de nações desprezadas pelos israelitas, como nos casos dos: samaritanos (uma raça mista) e de uma mulher siro-fenícia (uma gentia).
Mas a vontade divina de propagar o evangelho a todas as nações da terra, só toma uma forma mais acentuada no Livro de Atos dos apóstolos, mais precisamente nos capítulos de seis à dez.

Existem quatro personagens principais que contribuíram para a globalização do evangelho, são eles: Estevão, Felipe (o evangelista), Pedro e Paulo. Cada qual com suas peculiaridades e personalidades distintas foram utilizados por Deus para desbravar o mundo com as boas-novas do Evangelho.

Estevão contribuiu para a propagação do evangelho em seu ensino sobre o templo, a lei e o Cristo, e nos efeitos de seu martírio. Foi a partir de seu martírio que se levantou uma grande perseguição contra a igreja obrigando muitos irmãos a se dispersarem pelo mundo inteiro (At 7.54 - 8.4), um desses irmãos que foram dispersos de Israel foi o evangelista Felipe.

Felipe por sua vez, podemos dizer que foi o primeiro evangelista e discípulo de Cristo a romper com os paradigmas judaicos de seu tempo, já que, evangelizou o povo samaritano, não levando em conta a hostilidade existente entre seu povo (judeus) e o povo de Samaria. Os israelitas consideravam os samaritanos como um povo híbrido tanto na raça quanto na religião. Porém, Felipe no capítulo 8 de Atos cumpre a ordenança de Cristo para evangelizar em todos os lugares. Sua evangelização toca os corações dos samaritanos que creem em Jesus e são inclusos na comunidade messiânica.

De Samaria Deus conduz Felipe ao encontro de um Etíope (que provavelmente seria um prosélito do judaísmo, ou seja, um africano convertido à religião judaica), onde interpreta uma passagem no livro de Isaías revelando Jesus como o Salvador, tal mensagem leva o africano a uma conversão imediata (At 8.26-40). Deus começa a levar seu plano eterno a cabo, mostrando que Seu objetivo era a inclusão de todas as nações em Seu Reino.

O evangelho começa a sair de um pequeno povo e país no Oriente Médio, para ganhar o mundo através das palavras de Jesus e de seu sacrifício salvifíco. Porém, faltava ainda o clímax do mistério de Deus concernente à eleição – a inclusão das nações gentílicas no Reino de Deus.

Nos capítulos 9 e 10 de Atos Deus começa a preparar o caminho para a evangelização dos gentios. A princípio Lucas relata a história de conversão de Saulo (Paulo) que viera a ficar conhecido como o apóstolo dos gentios. Sua conversão foi muito propícia para o crescimento, propagação e edificação da Igreja do Senhor Jesus na face da terra.

Da conversão de Saulo, Lucas passa à conversão de Cornélio, o primeiro gentio a se tornar crente. Ambas as conversões foram fundamentos essenciais para a construção da missão entre os gentios. E em ambas destaca-se um apóstolo: a primeira conversão tem Paulo como centro, à segunda tem Pedro como seu agente. Ambos os apóstolos (apesar de terem recebido chamados diferentes) tinham um papel chave na tarefa de liberar o Evangelho de sua roupagem judaica e na apresentação do Reino de Deus para os gentios.

Aqui cabe a seguinte pergunta, como Pedro reagiria diante da discriminação racial e religiosa que eram patentes aos israelitas concernentes a outras nações?

A grande tragédia é que Israel torceu a doutrina da eleição, transformando-a em uma doutrina de favoritismo, encheu-se de orgulho e ódio racial, desprezou os gentios, considerando-os “cães”, e desenvolveu tradições que os mantiveram afastados. Tal preconceito deveria ser eliminado da Igreja. Portanto, Deus dá uma visão a Pedro (Atos 10. 9-23), mostrando-lhe que Ele não faz acepção de pessoas. A atitude de Deus para com as pessoas não é determinada por critérios externos, como aparência, raça, nacionalidade ou classe social. Pelo contrário, e inegavelmente, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.

Através, desta visão Deus conduz Pedro para o último passo de evangelização e inclusão dos povos na Igreja, que é a pregação aos gentios. Sendo o primeiro convertido gentio ao cristianismo, Cornélio.

Finalmente a igreja pode quebrar os paradigmas provindos do judaísmo e se expandir por todo o mundo conhecido na época. Lucas demonstra através de sue livro que o judaísmo do I século estava equivocado em suas doutrinas, apregoando o preconceito racial, já que, para eles a Graça de Deus era exclusiva a Israel. Porém, a Igreja mostra através de seu testemunho que a Graça de Deus é dada àqueles que Ele escolhe e isto inclui todas as nações, pois Deus não faz acepção de pessoas.

“O poder do Evangelho – Todos (Samaritanos, o Etíope, Cornélio “Gentios”) foram convertidos através da graciosa iniciativa de Deus; ambos receberam o perdão de pecados e a dádiva do Espírito; e ambos foram batizados, sendo recebidos na família cristã em igualdade de condições. Esse fato é um testemunho do poder e da imparcialidade do Evangelho de Cristo, que ainda é o (poder de Deus para a salvação de todo o que crê; primeiro do judeu e também do grego)”. (John Stott, A mensagem de Atos).


Pr. Narciso Montoto

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