domingo, 25 de dezembro de 2011

Primeira Parte - A Obra Salvífica de Cristo: Expressão de Amor por seus Eleitos.

Quando pensamos na obra salvífica que Jesus realizou, é comum lembramos em primeiro lugar da cruz que ele carregou e onde foi crucificado. É fato que não podemos desprezar outros aspectos da vida de Cristo como seu nascimento, seus ensinamentos, seus milagres e etc. Mas, podemos afirmar que a cruz é o cerne de sua obra salvífica, já que foi através dela que nosso Senhor se ofereceu em sacrifício pelos pecados de seu povo. Como disse R.C. Sproul: “Foi também na cruz, por meio da cruz, experimentando a cruz, que Jesus como Cristo realizou a obra de Redenção e uniu seu povo para a eternidade”.

A cruz é uma parte essencial do cristianismo, essencial no sentido de que ele é um sine qua non, “sem o qual o cristianismo não existiria”. Se retirarmos do cristianismo a cruz como ato de Expiação, nos o aniquilamos.

A suprema realização da cruz foi que Cristo aplacou a ira de Deus, que seria inflamada contra nós, se não fossemos cobertos pelo sacrifício de Cristo. Como pecadores estávamos sujeitos à condenação Divina, pois nossos pecados nos tornavam inimigos de Deus. Mas, Cristo tomando para si a culpa de seu povo foi o Substituto perfeito que por meio de seu sangue redimiu sua Igreja pelos séculos dos séculos. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes Daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz; Vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia”(1 Pe 2.9,10). Em suma, foi isto que Deus fez por sua Igreja, separou um povo para chamar de Seu, através da obra salvífica de Seu Filho demonstrou Seu amor pelos eleitos.

Mas, a obra salvífica que Cristo realizou não beneficiou toda a humanidade? Seu sacrifício não foi eficaz para perdoar os pecados de todos (universalismo)? Afinal por quem Cristo morreu?

Os universalistas creem que a morte de Jesus na cruz teve o efeito de salvar todo o mundo. Para eles não importa se o individuo acredita em Cristo, se pertence à outra religião, se possui uma vida que não remonta em nada o novo nascimento, para os proponentes desta teoria o importante é que no fim todos sem exceção serão salvos. Porém, a Palavra de Deus nos revela outro cenário. A bíblia nos mostra que a expiação realizada por Cristo é especifica e não universal no sentido de que opera ou torna eficaz a salvação somente para aqueles que creem em Cristo, de modo que a expiação não salva automaticamente a todos.

Embora nem todos sejam salvos pela cruz, a obra de Cristo produz benefícios concretos universais ou quase universais. Por meio da obra salvífica de Cristo, a igreja teve sua fundação, e isso levou à pregação do evangelho a todos os povos e nações. E, onde quer que o evangelho seja pregado, há inexoravelmente o aprimoramento da moral e da ética na sociedade. Existe um transbordamento da influência da igreja que traz benefícios a todos os homens.

Concernente à salvação, a teologia reformada discorre com muita seriedade a doutrina bíblica da eleição. Tal doutrina bíblica nos leva à crença que Deus estabeleceu um plano, desde a eternidade, para salvar um povo para Ele mesmo. Tal, plano inclua somente uma parte da raça humana, Deus nunca possuiu a intenção de salvar a todos. Devemos nos recordar, que o fato de sermos pecadores desobrigava Deus a propiciar salvação para qualquer indivíduo. Mas, em Sua misericórdia Deus resolveu salvar alguns. O propósito de Deus na Redenção era salvar um remanescente e livrá-los da ira que mereciam por si mesmos e por justiça.

O projeto Divino para a expiação dos pecados era que Cristo fosse crucificado e desse a sua vida em “resgate de muitos” (Mt 20.28b). Cristo daria sua vida, conforme havia dito “por suas ovelhas” (Jo 10.11). Portanto, Cristo Morreu com a finalidade de propiciar salvação somente para seus eleitos. Em Mateus a Bíblia diz: “... Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11. 27), vemos nesta passagem quem revela o Pai àqueles que estão com suas mentes cauterizadas, este é o Filho e isto não depende de nossa vontade mais da Dele. Devemos levar também em consideração que ninguém pode chamar-se a si próprio para seguir a Cristo, ou recebê-lo, já que, é Ele que nos chama e nos recebe: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15.16a), portanto, é Cristo que nos escolhe. Perceba que a fé é um dom de Deus e ela é dada a quem Ele quer.

Paulo nos mostra em romanos 8.28-30: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Portanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. Vemos que Deus tem seus propósitos concernentes à eleição e salva apenas aqueles a quem Ele predestinou, chamou, justificou por meio da obra salvífica de seu Filho e também glorificou.

Tudo isto nos faz perceber o grande amor e misericórdia expressos por Jesus Cristo em sua obra salvífica por seus eleitos. Cristo nasceu por eles, morreu por eles, ressuscitou por eles, intercede por eles e não pelo mundo (Jo 17.9) e é por Eles que um dia Cristo voltará em glória.

Portanto, finalizo esta parte citando as palavras do apóstolo Paulo: “Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, Nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade para louvor da glória da sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.3-7).
CONTINUA...

Soli Deo Glória.

Pr. Narciso Montoto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Globalização do Evangelho à Luz de Atos: Uma Resposta ao Nacionalismo Judaico no I Século.

(Aqui não denominaremos globalização em seu sentido moderno, mas como a propagação do Evangelho por todo o mundo conhecido no I século).

O fato de Deus ter separado uma nação por meio de Abraão para abençoar todas as nações da Terra (Gn 12), Gerou em seus descendentes no decorrer dos anos um orgulho nacionalista exacerbado, isto fez com que os judeus falhassem em sua missão como nação escolhida por Deus para propagar Sua Glória. Israel deveria atrair as nações para Deus através de todos os grandes feitos do Senhor a seu favor. Porém, a nação passou a ter uma compreensão equivocada da eleição Divina, pois apregoavam que a salvação de Deus pertencia apenas à nação hebreia excluindo assim outras nações.

Ao enviar Jesus Cristo ao mundo, Deus Pai começa a mostrar Seu amor não só por judeus, mas por todas as nações.

Cristo em seu ministério terreno demonstra de forma ainda um tanto acanhada (pois ainda não era o tempo de propagar o Evangelho aos gentios e sim aos judeus) uma proto-evangelização de nações desprezadas pelos israelitas, como nos casos dos: samaritanos (uma raça mista) e de uma mulher siro-fenícia (uma gentia).
Mas a vontade divina de propagar o evangelho a todas as nações da terra, só toma uma forma mais acentuada no Livro de Atos dos apóstolos, mais precisamente nos capítulos de seis à dez.

Existem quatro personagens principais que contribuíram para a globalização do evangelho, são eles: Estevão, Felipe (o evangelista), Pedro e Paulo. Cada qual com suas peculiaridades e personalidades distintas foram utilizados por Deus para desbravar o mundo com as boas-novas do Evangelho.

Estevão contribuiu para a propagação do evangelho em seu ensino sobre o templo, a lei e o Cristo, e nos efeitos de seu martírio. Foi a partir de seu martírio que se levantou uma grande perseguição contra a igreja obrigando muitos irmãos a se dispersarem pelo mundo inteiro (At 7.54 - 8.4), um desses irmãos que foram dispersos de Israel foi o evangelista Felipe.

Felipe por sua vez, podemos dizer que foi o primeiro evangelista e discípulo de Cristo a romper com os paradigmas judaicos de seu tempo, já que, evangelizou o povo samaritano, não levando em conta a hostilidade existente entre seu povo (judeus) e o povo de Samaria. Os israelitas consideravam os samaritanos como um povo híbrido tanto na raça quanto na religião. Porém, Felipe no capítulo 8 de Atos cumpre a ordenança de Cristo para evangelizar em todos os lugares. Sua evangelização toca os corações dos samaritanos que creem em Jesus e são inclusos na comunidade messiânica.

De Samaria Deus conduz Felipe ao encontro de um Etíope (que provavelmente seria um prosélito do judaísmo, ou seja, um africano convertido à religião judaica), onde interpreta uma passagem no livro de Isaías revelando Jesus como o Salvador, tal mensagem leva o africano a uma conversão imediata (At 8.26-40). Deus começa a levar seu plano eterno a cabo, mostrando que Seu objetivo era a inclusão de todas as nações em Seu Reino.

O evangelho começa a sair de um pequeno povo e país no Oriente Médio, para ganhar o mundo através das palavras de Jesus e de seu sacrifício salvifíco. Porém, faltava ainda o clímax do mistério de Deus concernente à eleição – a inclusão das nações gentílicas no Reino de Deus.

Nos capítulos 9 e 10 de Atos Deus começa a preparar o caminho para a evangelização dos gentios. A princípio Lucas relata a história de conversão de Saulo (Paulo) que viera a ficar conhecido como o apóstolo dos gentios. Sua conversão foi muito propícia para o crescimento, propagação e edificação da Igreja do Senhor Jesus na face da terra.

Da conversão de Saulo, Lucas passa à conversão de Cornélio, o primeiro gentio a se tornar crente. Ambas as conversões foram fundamentos essenciais para a construção da missão entre os gentios. E em ambas destaca-se um apóstolo: a primeira conversão tem Paulo como centro, à segunda tem Pedro como seu agente. Ambos os apóstolos (apesar de terem recebido chamados diferentes) tinham um papel chave na tarefa de liberar o Evangelho de sua roupagem judaica e na apresentação do Reino de Deus para os gentios.

Aqui cabe a seguinte pergunta, como Pedro reagiria diante da discriminação racial e religiosa que eram patentes aos israelitas concernentes a outras nações?

A grande tragédia é que Israel torceu a doutrina da eleição, transformando-a em uma doutrina de favoritismo, encheu-se de orgulho e ódio racial, desprezou os gentios, considerando-os “cães”, e desenvolveu tradições que os mantiveram afastados. Tal preconceito deveria ser eliminado da Igreja. Portanto, Deus dá uma visão a Pedro (Atos 10. 9-23), mostrando-lhe que Ele não faz acepção de pessoas. A atitude de Deus para com as pessoas não é determinada por critérios externos, como aparência, raça, nacionalidade ou classe social. Pelo contrário, e inegavelmente, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.

Através, desta visão Deus conduz Pedro para o último passo de evangelização e inclusão dos povos na Igreja, que é a pregação aos gentios. Sendo o primeiro convertido gentio ao cristianismo, Cornélio.

Finalmente a igreja pode quebrar os paradigmas provindos do judaísmo e se expandir por todo o mundo conhecido na época. Lucas demonstra através de sue livro que o judaísmo do I século estava equivocado em suas doutrinas, apregoando o preconceito racial, já que, para eles a Graça de Deus era exclusiva a Israel. Porém, a Igreja mostra através de seu testemunho que a Graça de Deus é dada àqueles que Ele escolhe e isto inclui todas as nações, pois Deus não faz acepção de pessoas.

“O poder do Evangelho – Todos (Samaritanos, o Etíope, Cornélio “Gentios”) foram convertidos através da graciosa iniciativa de Deus; ambos receberam o perdão de pecados e a dádiva do Espírito; e ambos foram batizados, sendo recebidos na família cristã em igualdade de condições. Esse fato é um testemunho do poder e da imparcialidade do Evangelho de Cristo, que ainda é o (poder de Deus para a salvação de todo o que crê; primeiro do judeu e também do grego)”. (John Stott, A mensagem de Atos).


Pr. Narciso Montoto

Resgatando a Humanidade Perdida.

Introdução

Um dos fatores essenciais causados pelo pecado é sem dúvida alguma a perca da sensibilidade humana. Tal sensibilidade é a marca da verdadeira humanidade. Tal marca foi perdendo seu lugar gradativamente na vida humana à ponto de Deus ter se arrependido de haver feito o homem capítulo 6 de Gênesis. Mas nem o Dilúvio seguido de uma nova descendência que provinha de Noé conseguiram extirpar da raça humana o pecado que fez ficar inativa a sensibilidade humana de seu convívio.

Milhares de anos em trevas

A falta de sensibilidade no ser humano causada pelo pecado trouxe consequências terríveis para toda a criação de Deus. Os homens não se preocupavam mais com o seu próximo, pois estavam ocupados demais com seus próprios desejos e projetos, não importando se para isto fosse necessário destruir outros indivíduos.

Esta falta de sensibilidade, ou seja, de amor ao próximo, nos explica o porquê de incontáveis guerras que a humanidade trava desde seu principio. Guerras por territórios, por vaidades, por orgulho, por poder. Guerras em nome do sagrado. Guerras em nome do Amor. Enfim, todas as guerras são expressões da falta de sensibilidade humana.


Por milhares de anos a humanidade viveu assim, já que, se preocupava consigo mesma, não tendo tempo suficiente para preocupar-se com as outras pessoas.


Luz em meio às trevas
É em meio a um cenário de desolação que Cristo aparece, o mesmo Cristo que desde o princípio demonstra uma preocupação imensurável em resgatar a humanidade perdida na vida de seus discípulos. Vemos tal preocupação de Jesus tanto em seus sermões quanto em seus milagres. As atitudes de Jesus destoavam em muito com as atitudes das pessoas de seu tempo, tomemos, por exemplo, a cura de um cego: Enquanto as multidões e muitos de seus discípulos afastavam aquele cego e mendigo, mandando com que ele se calasse e se retirasse Jesus mandou ele se aproximar para que Ele o Cristo o curasse.

As multidões olharam para aquele cego como alguém desprovido de posses, como alguém abandonado por Deus, como alguém indigno de aproximar-se de Jesus. Cristo olhou para aquele cego e mendigo como alguém que necessitava de atenção, como alguém que necessitava de uma palavra de ânimo, pois Cristo não olhava para a aparência, mas para o individuo como um todo.


Cristo como a Luz que veio ao mundo teve por missão resgatar a sensibilidade humana na vida de seus discípulos os ensinando a colocarem os anseios do próximo acima dos seus.


Uma dura realidade

Passados dois mil anos de fundação do cristianismo parece que nada mudou com relação à sensibilidade humana, principalmente na vida daqueles que se dizem seguidores de Jesus. Temos visto países que se dizem cristãos operam suas guerras contra países desprovidos de tal poderio bélico. Vemos e vivemos em um mundo onde as desigualdades sociais tomam patamares terríveis. E o que nós cristãos temos feito para mudar a realidade deste mundo que jaz em trevas? Muitos responderão dizendo que não podem fazer nada.

Não é preciso fazer muito para começar a mudar o mundo em que vivemos, já que, são nas mínimas coisas que Deus revela seu poder. Vivemos dias onde a indiferença impera. Quantos de nós já passamos frente a um mendigo e fingimos que nem o vemos? Quantos de nós cristãos já paramos para tal mendigo e dissemos a ele que não tínhamos dinheiro, mas que tínhamos uma palavra de vida eterna para ele?


Observe que é apenas uma mudança de atitude.


Que possamos resgatar os princípios deixados por Jesus para seus seguidores, seja um agente de Deus, dê lugar a sensibilidade humana em sua vida e ajude assim a vivermos em um mundo melhor.


Pastor Narciso Montoto.

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